O anúncio dizia “único dono, revisado, nada a fazer”. Você levou seu cunhado que “entende um pouco”, deu uma volta no quarteirão, achou o motor silencioso e fechou. Pagou à vista porque conseguiu R$ 3 mil de desconto e saiu de lá com a sensação de ter feito o negócio da sua vida.
Vinte dias depois começou o barulho. O mecânico levantou o carro, olhou o assoalho e fez aquela cara. Batida estrutural remendada, coluna com solda nova, e o câmbio pedindo R$ 9 mil. Você não comprou um carro barato. Comprou o problema de outra pessoa, com desconto de R$ 3 mil.
Ou talvez tenha sido o contrário: você foi vender. A loja olhou seu carro por quatro minutos, apontou dois detalhes bobos e te ofereceu R$ 11 mil abaixo do mercado. Você aceitou porque estava com pressa. Aquele carro foi anunciado no dia seguinte por R$ 14 mil mais.
Nos dois casos o erro é o mesmo: você entrou numa mesa onde o outro lado faz isso todos os dias. Não importa se foi seu carro, o primeiro negócio que você tentou revender, ou mais uma margem perdida no meio do lote. Sem método, o resultado é sempre o mesmo.